19 de junho de 2012

Direção nacional do PT não quer trocar Humberto por João Paulo


Intenção é manter a candidatura de Humberto Costa à Prefeitura do Recife



A possível troca da cabeça de chapa do PT na sucessão do Recife, cujas especulações ganharam força nos últimos dias, não passa pela cabeça dos dirigentes nacionais do partido. Pelo menos é o que garante o presidente da Comissão de Ética do PT, Francisco Rocha da Silva, o Rochinha. Segundo ele, seria uma surpresa se a cúpula petista, responsável pela indicação do senador Humberto Costa como candidato à Prefeitura do Recife, aprovasse, durante a reunião na próxima segunda-feira, em Brasília, a troca pelo deputado João Paulo. “Cada um tem o direito de pensar e dizer o que quer, mas do ponto de vista político, isso é totalmente improcedente”, cravou Rochinha.
Tal estratégia começou a ser discutida, na semana passada, após sinalizações claras de que o governador Eduardo Campos (PSB) poderia lançar um candidato socialista, sob alegação de que o PT não conseguiu unir a Frente Popular. O senador Armando Monteiro Neto (PTB), que no início do ano liderou, junto com outros cinco partidos, um movimento alternativo, avalizou a postura do governador, assim como outros 14 dos 18 partidos da coligação, além do próprio PT.
Diante desse cenário, a pré-candidatura de Humberto sofreria um isolamento que seria incompatível para um senador eleito há dois anos com mais de três milhões de votos, sendo 500 mil no Recife. Para evitar um desgaste para a figura do petista e inverter o jogo, o nome do ex-prefeito voltou à tona. João Paulo liderou todas as pesquisas de intenções de voto no ano passado, e ainda há um argumento de peso, lançado por um petista local, que pediu reserva: “Como João da Costa passou pelas prévias, que foram anuladas pela nacional, e Humberto foi indicado como candidato, o prefeito teria argumentos para não pedir votos para o senador junto à sua equipe. Mas com João Paulo é diferente. Todo mundo sabe que foi ele que elegeu João da Costa, e ainda tem aliados ocupando cargos na Prefeitura. O prefeito não poderia impedir apoios a João Paulo, pois seria apontado como culpado na briga com o ex-padrinho”.
Porém, as novas conjunturas do cenário local, aparentemente, ainda não teriam chegado a Brasília, segundo afirmou Rochinha. O dirigente petista reforça que o diretório analisará o recurso do prefeito João da Costa, que pede a revisão da decisão da executiva pela indicação de Humberto. “Não dá para adivinhar o voto dos 84 membros do diretório, mas é muito improvável qualquer substituição de candidato. O recurso vai ser acatado para a discussão e votado. Mas mudar o candidato seria improcedente, seria uma surpresa”, declarou Rochinha. “Nós queremos que a Frente Popular continue unida no Recife. Me sentiria extremamente feliz que o governador revisse a posição e tivéssemos Humberto como candidato da Frente. Mas, se isso não ocorrer, não será o fim do mundo”, avisou.
Fonte: Folha
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