16 de novembro de 2016

Polícia analisa WhatsApp e revela que morte de vereador de Santa Maria do Cambucá foi crime político

A Polícia Civil de Pernambuco concluiu o inquérito da morte do presidente da Câmara de Vereadores de Santa Maria do Cambucá, no Agreste pernambucano, José Jorge Lima, 43 anos. Segundo o delegado Julio Porto, o homicídio foi motivado por uma briga entre dois grupos políticos. O policial afirma que as investigações começaram a se consolidar a partir de análise de mensagens de WhatsApp enviadas por um dos apontados como executor do assassinato.
Parlamentar foi atingido com vários tiros (Foto: Reprodução/TSE)Parlamentar foi atingido com vários tiros
(Foto: Reprodução/TSE)
A apresentação do relatório final do inquérito que investigou o assassinato foi realizada na manhã desta quarta-feira (16), na sede do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoal (DHPP), no Cordeiro, Zona Oeste do Recife. O documento tem  50 páginas, quando, geralmente, apresenta apenas dez.
De acordo com a polícia, o parlamentar foi baleado por três homens, no dia 1º de maio deste ano, quando chegava em casa. Ele morreu no dia 24 de junho, no Hospital da Restauração (HR), no Recife, onde ficou internado e passou por várias cirurgias.
A polícia afirmou que os suspeitos são Adriano Manuel da Silva, 33 anos, Ademir Manuel da Silva, 28, e Ciro Anderson Gonçalves, de idade não informada. Eles teriam executado o vereador a mando de Ivson Pereira Ferreira, de 30 anos.
O delegado Júlio Porto, da regional de Santa Cruz do Capibaribe, também no Agreste, disse que a briga entre os grupos rivais teria começado com uma tentativa de homicídio contra Adriano no dia 24 de abril deste ano. Um dos suspeitos seria o motorista do atual prefeito de Santa Maria do Cambucá, Alex Robervan de Lima (PSB).
Durante a ação, a tiros também atingiram o carro do vereador (Foto: Divulgação/Polícia Civil)Durante a ação, a tiros também atingiram o carro do vereador (Foto: Divulgação/Polícia Civil)
"Por já ter uma rivalidade e ser de oposição, Ivson levou Adriano a acreditar que foi o presidente da Câmara e não o prefeito que teria mandado matá-lo. Foi uma desculpa para assassinar uma pessoa com quem ele já tinha conflito", pontuou o delegado.
Ivson era conselheiro tutelar e pré-candidato a vereador da cidade. "Ainda havia uma possibilidade de o partido indicá-lo para ser prefeito", completa Julio Porto.

"Descobrimos que eles fazem parte de uma quadrilha que comete homicídios e tem envolvimento com o tráfico de drogas. O inquérito dessas duas mortes ainda está em andamento e não temos, ainda, como afirmar o motivo, mas tudo leva a crer em queima de arquivo", declarou o responsável pela investigação.
Adriano foi preso no dia 19 de maio e segue detido na penitenciária de Santa Cruz do Capibaribe. Ivson foi localizado em João Pessoa (PB), no dia 7 de agosto. Eles está preso em Pesqueira, no Agreste de Pernambuco. Ademir e Ciro foram mortos durante as investigações. O delegado acredita em queima de arquivo.
WhattsAPP
De acordo com o delegado, a real motivação do crime só começou a ser evidenciada após a polícia analisar trocas de mensagens entre os envolvidos, por meio do Whatsapp de Adriano. “Encontramos o celular dele no momento da prisão. Pelo aplicativo de celular, ele conversava com os outros executores e com o mandante. Todo o planejamento, desfecho, assim como indicativos da motivação estavam lá”, observou Porto.
Ivson e Adriano negam envolvimento no crime. Adriano responde por associação criminosa, tráfico e homicídio. Ivson responde apenas por participação no homicídio
"Para reafirmar o envolvimento dessa quadrilha no tráfico de drogas da região, a mãe, o irmão e a esposa de Adriano foram presos com drogas ao tentar entrar na penitenciária em que ele está. A maconha estava escondida dentro de uma carne assada. Tudo indica que ele conseguia, até então, comandar o tráfico mesmo dentro do presídio, por meio de celulares", afirmou o delegado. 
Fonte: G1 PE
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